quarta-feira, 31 de março de 2010

Amar, verbo intransitivo

Dessa vez trouxe um textinho doentio para vocês:


Já me bastava sentir seu perfume. Já era suficiente ouvir sua voz toda manhã. Eu estava com você, mas você não estava comigo, eu sabia disso. E mesmo que uma parte de mim desejasse ir além, isso tudo já era suficiente. Acho que a minha covardia me impedia.

Do seu abraço não fluía o mesmo calor que fluía do meu, mas eu o apreciava da mesma forma. E só de me lembrar do seu abraço já me sinto aconchegado.

Quando você sorria pra mim, era como se eu me sentisse em casa. Era daqueles sorrisos que a gente não consegue parar de olhar nem quando a pessoa já cerrou os lábios.

Eu vivo para te amar, mesmo sabendo que você dificilmente fará o mesmo. Talvez no fundo da minha alma eu saiba que isso é uma bobagem, mas é tão mais confortável continuar sonhando com nós dois...

Sei que um dia as circunstâncias nos distanciarão, mas a partir daí começarei a viver da sua falta. Mas sempre viverei respirando você. Eu te amo e isso basta, não precisa de complemento.

9 comentários:

  1. "Era daqueles sorrisos que a gente não consegue parar de olhar nem quando a pessoa já cerrou os lábios."

    Adoro a simplicidade e sutileza do texto!

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  2. que texto bonitinho. Quando entrei aqui lembrei do livro do Mário de Andrade que quero ler!
    Ficaria irônico se esse post fosse depois do O novo mal do século!
    parabático, não? HAHA brinks
    :**

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  3. Que lindo... Fiquei emocionada!

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  4. Belo texto. Adorei a frase "Eu te amo e isso basta, não precisa de complemento."

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  5. "Eu te amo e isso basta, não precisa de complemento."

    conclusão perfeita, encaixa direitinho com a simplicidade do texto. Uma obra pequena, porém uma grande obra.

    estrelinha de ouro ;)

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  6. Nossa adorei! Foi profundo esse texto.

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  7. Lindo.

    E cara, tu descreveu a minha história ai. A única diferença é que eu e ele já nos distanciamos, continuo respirando aquele amor... mas o complemento me faz falta.

    Parabéns pelo texto!

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  8. eu quero muito ler o livro que tem esse nome, quase comprei dia desses...
    não sei, mas esse post me doeu tanto, tanto. não consigo explicar a profundidade disso. deixemos pelo não-dito.

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